15 de abril de 2020
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Verdade além de superficialidade: Onde os falsos não tem vez

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Tempo de leitura: 5 minutos

Atletas, artistas, líderes e guerreiros, existe uma característica que transcende a todos independente de sua área ou aptidão: Aqueles que se destacam entre a maioria são autênticos. Possuem em si um senso de novidade, uma forma de fazer o que todos fazem de uma maneira própria, singular. A história que se tem no decorrer da vida humana na terra, as lições que trazemos do esporte e os maiores destaques da mídia mundial, todas elas mostram seu personagem principal agindo de maneira ímpar.

Um bom fã de rock N roll que o diga!

Em meados dos anos 50 o mundo dançou com as pernas agitadas e riffs de guitarra de Elvis. Me pergunto o que será que ele tinha pra ser considerado até hoje o rei. Seria o topete? Será que só o talento foi capaz de coloco-lo lá? Me soa mais verdadeiro analisar que ele fazia de uma maneira nunca antes vista. E aquele que consome, seja uma música, um texto ou um filme, sempre sabe quando é sinceramente autêntico.

Ainda na música?

Os Beatles mudaram o conceito de rock, e a partir daí surgiu-se uma infinidade de estilos e variáveis. Talvez a união de diversos instrumentos tenha assustado o cidadão comum, em um primeiro momento, mas não demorou para que o quarteto de Liverpool ganhasse o mundo. Inegavelmente, passados mais de 50 anos do primeiro álbum da banda, os Beatles seguem sendo os Beatles, a maior banda da história. E aqueles – inúmeros – que tentaram copiá-los, seguem como completos desconhecidos, afogados num mar de superficialidade, onde jamais encontraram a própria essência.

Foto: Reproducao/ Instagram Elvis
Foto: Reproducao/ Instagram Elvis

Ainda na arte, recordo de um programa que talvez você, mais novo, não conheça, mas qualquer um que teve sua adolescência nos anos 2000 sabe quem foram Hermes e Renato. O programa de comédia da MTV mais parecia ser gravado no quintal de casa. A naturalidade das piadas pesadas, os palavrões espontâneos e a pegada amadora com certeza mostrava que Hermes e Renato eram aquilo, eram eles, eram, de verdade.

A comédia brasileira hoje, quase extinta, lembra os tempos de ouro em que a figura do palhaço “gozo” não repercutia como atentado moral, e tampouco as pessoas se ofendiam com o Boça, o estereótipo do paulistano chato. Talvez você nunca tenha refletido, talvez você nunca mais tenha visto, mas dado o atual cenário artístico nacional, em especial na comédia, é mágico analisar a originalidade de Hermes e Renato. Mas talvez fosse o amadorismo que nos aproximasse tanto, talvez fosse o senso de que não há regras para a comédia. Talvez até, seja o fato de sabermos que lá no fundo, todos somos um pouco Joselito ‘sem noção’ morrendo de vontade de dar um tapão ao pé do ouvido do primeiro que aparecer.

Completamente sem noção. Todos conhecemos algum Joselito. / Foto: divulgação Hermes e Renato
Completamente sem noção. Todos conhecemos algum Joselito. / Foto: divulgação Hermes e Renato

E o futebol, o que tem a ver com isso?

O futebol brasileiro tem seu declínio marcado junto com o fim das personalidades. Na década de 90 tivemos uma disputa pelo rei do Rio envolvendo Romário, Renato e Túlio. No Rio, Flamengo e Vasco juntaram “Os Badboys” Edmundo e Romário e não faltou pano pra manga. Desde o rap dos badboys até “Agora a corte está completa…“ os jogadores sempre mostravam seu jeito brazuca em campo e fora dele. A gloriosa geração de 90 nos rendeu duas copas do mundo (pois 2002 são os craques dessa época) e um vice campeonato.

O que ocorreu na última década? Crescemos assistindo Ronaldo, Rivaldo, Ronaldinho e hoje assistimos a escanteio cobrado curto. A falta de pegada própria contra uma seleção original causou o maior vexame da história do futebol, vexame até hoje não cicatrizado nas mazelas do futebol canarinho. Nós vemos os jogadores e eles parecem robôs. Nossa seleção está desalmada. Temos os craques, temos a estrutura, então o que falta pra sermos o Brasil de sempre? Na minha opinião, falta “Brasilidade” nesse futebol. Falta samba.

"Leleleô leleleá". / Foto: arquivo Gazeta do Povo
“Leleleô leleleá”. / Foto: arquivo Gazeta do Povo

Veja bem, como todos nós (NO PLANETA) sabemos, o maior jogador de futebol que já pisou na terra se chama Edson Arantes do Nascimento, Obviamente. – Aos Enzos, estudem – Mas além de um talento absurdo, o que mais tinha Pelé? Então eu vos pergunto, qual tipo de gol que Pelé não tentou fazer? Ele não fez todos, é verdade (E se você questionou isso agora lembre-se que ele fez mais de 1200), mas ele pensou em N maneiras de se marcar um golaço, como nunca antes pensada.

A unicidade de deixar a bola passar pra dar um drible da vaca no goleiro com o jogo de corpo é se destaca até hoje. Pelé tentou do meio de campo, fez gol de bicicleta, dando chapéu, de calcanhar, saltando mais de 1 metro de altura. Era rápido, veloz, mas forte como um tanque. Sabia bater quando necessário mas a sua grande característica era de pensar o jogo. Este é, portanto, o exemplo mais claro de autenticidade genuína no futebol.

Pelé enganando o goleiro o Uruguaio, em 1970. / Foto: reprodução Google
Pelé enganando o goleiro o Uruguaio, em 1970. / Foto: reprodução Google

Eis que cabe o destaque a outro brasileiro, aquele ao qual muitos suspeitam de fazer bruxaria: Ronaldinho Gaúcho. Desde o início da carreira no Grêmio, Ronaldinho mostrava ser diferente ao fazer de pouco o já experiente Dunga, em pleno Grenal. A sua principal característica, os dribles, mostravam que Ronaldinho não era um jogador como qualquer outro. Entre suas marcas registradas, podemos lembrar das cobranças de falta por baixo da barreira, das suas canetas em qualquer defensor e cavadas de cobertura, ou pra assistência.
Gênio.
Ronaldinho.
Mostrando ser quem sua natureza exige que seja.
Mostrando a melhor forma do que proporciona.

Reflexão além do campo

Do maior da história, ao maior do bairro, da eleição de síndico até a eleição presidencial, a autenticidade honesta sempre se sobrepõe a cópia, a falsa inovação, a novidade antiga e a aqueles que dizem ser quem não são, que tentam para parecer, e não por ser.
Em tempos de quarentena, uma chance aparece em meio a todo o caos: Em casa como nunca antes, temos a oportunidade de buscar o autoconhecimento.

Se descobrir.

Só quem se conhece é capaz de produzir algo verdadeiramente autêntico.
Você já começou a estudar 3 línguas diferentes, assistiu uma penca de seriado ruim na Netflix e viu até o jogo do rebaixamento do time rival, tranquilo, você tá cheio de tempo. Temos os estamos. Mas vamos tirar um pedaço desse tempo todo em casa pra fazer o seguinte questionamento: Quão autêntico sou eu?

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Sobre William Grassmann

Fanático pelo tricolor. Já nasci envolto nas cores do Grêmio.

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