14 de fevereiro de 2020
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Alpha Tauri AT01: Quando a moda encontra a velocidade

Tempo de leitura: 3 minutos

A moda mais uma vez se encontra com a F1. Não é algo novo, já que a Hugo Boss ficou por anos com a McLaren e a Tommy Hillfinger tem apoiado diversos times ao longo dos anos, fixando-se na Mercedes ultimamente. O exemplo mais claro deste envolvimento é a italiana Benetton, que começou como patrocinadora e depois ficou 16 temporadas como dona de equipe.

Para continuar esta história, hoje foi oficialmente apresentada a Alpha Tauri, que vem a ser o novo nome da Toro Rosso. A marca é uma subsidiária da Red Bull, fundada em 2016, e é mais uma forma dos taurinos expressarem as linhas de sua atuação. E mais uma forma de mostrar o colosso que é o grupo, a apresentação foi feita no Hangar-7, na Áustria, também é do grupo e já apareceu nos carros da “nave-mãe” e até na Jaguar.

Novo nome, velho sistema

Novo nome, mas o princípio por enquanto é o mesmo: ser uma satélite da Red Bull. Mas agora a designação faz até mais sentido pelo ponto de vista mercadológico: é mais uma forma de fixação da marca, exposta a mais de 1 bilhão de espectadores. Ponto para Dietrich Mateschitz (dono do conglomerado).

A grandiosidade da apresentação lembrou aos eventos da década de 90/início dos 2000 (neste ponto, as equipes vem dando bons espetáculos), com direito a desfile de modas e show de luzes. E o resultado final, após uns bons 25 minutos de manequins, valeu a pena.

A dupla Pierre Gasly e Daniil Kvyat trouxe o AT01. A pintura, em branco e azul (que pode ser facilmente confundida com preto), fez até lembrar as antigas Brabham e Williams. E trouxe algumas boas perspectivas.

Kyvat, Tost e Gasly: trio com expectativas em 2020 (divulgação: Red Bull)

Simples e belo

O modelo apresentado no evento e o das fotos são diferentes (o que estava em Salzburgo era o STR14 de 2019 ligeiramente modificado). Mas ambos chamaram a atenção pela fluidez e pelo reduzido número de aletas (embora haja um trabalho pesado nas bargeboards). E também as diferenças em relação ao RB16. Não custa lembrar que no ano passado, a Toro Rosso usou boa parte do RB14, especialmente o trem traseiro, para fazer o STR14.

Alpha Tauri AT01 (divulgação: Red Bull)

Após a saída de James Key para a McLaren, a Red Bull decidiu que a sua filial italiana usaria cada vez mais os recursos da sede inglesa. Mas por força do regulamento, boa parte ainda deve ser feita na antiga sede da Minardi. Para se ter ideia, a equipe comandada por Jody Eggington usa um túnel de vento com 50% de escala (as demais usam com 60%, máximo permitido. Quanto maior a escala, melhor resultado nos estudos).

Entretanto, um fruto não cai longe da árvore. E o AT01 bebe muito do RB16. Por usar a mesmo UP da Honda, a solução para as laterais praticamente se assemelham, incluindo a reduzida entrada de ar, embora a traseira tenha uma parte um pouco mais carenada na parte final. Nesta versão apresentada hoje, o ATR01 soou como uma versão mais ajeitada do STR14 usado no ano passado.

Alpha Tauri AT01 (divulgação Red Bull )

Objetivo: subir mais no “bolo”

O objetivo da Alpha Tauri é conseguir mais do que 2019, que lhe reservou 2 pódios em corridas extremamente imprevisíveis (Alemanha e Brasil). Gasly e Kyvat têm o objetivo de continuar a reconstrução de suas imagens no “mundo Red Bull” e sonharem – quem sabe? – com uma volta para a nave mãe. Franz Tost mostra que sabe lidar com pilotos jovens e comanda este trabalho. Não esquecendo que o principal objetivo deste time é fazer o “amadurecimento” de pilotos para a Red Bull. Incluindo reciclagem. Com uma pressão menor, pode ser que tudo corra bem.

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About Sergio Milani

Sergio Milani

Carioca, administrador, cartola de kart indoor, piloto domingueiro e dublê de analista de automobilismo em diversas frentes.

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