13 de fevereiro de 2020
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McLaren MCL35: um passo destemido

Tempo de leitura: 3 minutos

A McLaren alguns dias antes do lançamento do MCL35, que aconteceu hoje em Woking, começou a usar nas redes sociais a hashtag fearless forward. Algo como ir em frente sem medo, ser destemido. Este é o espírito que a equipe tenta trazer este ano.

A reestruturação iniciada por Zak Brown após a tempestade do período Honda aparentemente começou a dar frutos. O otimismo voltou a aparecer entre os membros, especialmente após o 3º lugar de Carlos Sainz no Brasil, marcando o retorno ao pódio após 5 anos. Não à toa, é hora de dar um passo à frente.

Mais uma vez azul e laranja

E a vontade de dar passo à frente, destemido, se materializa no MCL35. Se no ano passado o objetivo foi fazer um carro descomplicado, que funcionasse logo de início, o contenedor deste ano veio com aspirações maiores….

A começar pela liderança técnica. Em 2018, foi feita uma grande mudança no gabinete técnico. Foi anunciada a vinda de James Key, que estava então na Toro Rosso, como Diretor Técnico e Tim Goss foi demitido. Pat Fry veio para comandar a transição, tendo ao seu lado o “sobrevivente” Peter Prodromou. Fry fez o MCL34 e saiu no meio do ano, justamente quando acabou a “quarentena” de Key.

Tido como potencial sucessor de Adrian Newey enquanto estava no “Universo Red Bull”, Key é um técnico conhecido por combinar ousadia com funcionalidade. Trabalhos como a Sauber C30 e C31 (que Perez levou ao segundo lugar na China 2012) e a Toro Rosso STR12 e 13 o cacifaram a ser reconhecido como um potencial projetista de primeira linha. E aceitou o desafio de trazer a McLaren de volta ao topo.

MCL35: a chave de Key

O MCL35 usa como base soluções do seu antecessor, mas faz algumas apostas interessantes. A que chama mais atenção é a frente. Embora já tivesse uma frente afilada, o carro traz um bico mais fino ainda, mais alto e com um conceito mais voltado para o que Ferrari e Alfa Romeo usaram no ano passado, o “outwash” (ar sendo jogado “para fora” do carro”).

Sobre a frente, muita gente está levantando a dúvida do modelo apresentado ter uma entrada diferente do que está nas fotos distribuídas. Ao vivo, marca uma volta a uma solução utilizada no MCL33 e MCL34 (2017 e 2018, respectivamente) e parcialmente no ano passado, que é a criação de painéis bem definidos no suporte do aerofólio para ajudar a canalizar o ar.

Mesmo assim, houve um trabalho grande nas aletas laterais (“bargeboards”), aparecendo e maior número, mas de forma diversa. A bandeira sob a entrada de ar lateral está lá também, bem como o “bumerangue”. A impressão que passa é que o carro está ligeiramente mais fino.

Na traseira, mais uma vez laterais bem esguias e aparentemente mais baixas. E como tem sido um padrão até agora, o cofre do motor mais enxuto. O que pode soar como uma aposta para a McLaren, já que teve alguns problemas em 2018 neste aspecto com a instalação do motor Renault. O aerofólio tem um suporte diferente, indo mais na linha da Red Bull.

Objetivo: evoluir

Andreas Seidl, chefe de equipe e considero um dos responsáveis pelo sucesso do ano passado, já declarou que espera vitórias somente em 2023. Mas que espera que a McLaren consiga este ano reduzir a diferença para as três equipes de frente. E para isso conta que a Renault entregue um motor competitivo no último ano de acordo, já que a partir de 2021, os carros ingleses voltam a ser empurrados pelos Mercedes.

A dupla é a mesma do ano passado: Carlos Sainz Jr e Lando Norris. Talvez seja hoje uma das mais equilibradas do grid e parte importante neste “renascimento” da McLaren, seja por seu talento, como pelo entrosamento demonstrado pelos dois, tão decantado nas redes sociais.

Lando Norris e Carlos Sainz Junior: a dupla que pode fazer chover mais um ano (fonte: mclaren.com)

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About Sergio Milani

Sergio Milani

Carioca, administrador, cartola de kart indoor, piloto domingueiro e dublê de analista de automobilismo em diversas frentes.

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