12 de fevereiro de 2020
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Renault R.S.20: a apresentação não apresentada

Tempo de leitura: 3 minutos

A Renault revolucionou a forma de fazer apresentação do seu carro em 2020. Inicialmente, divulgou a data de evento. Depois, declarou que não faria um evento online e que não apresentaria o carro deste ano, o R.S.20. Para completar, disse que mostraria algumas partes do carro e a pintura que será usada na pré-temporada. Um anti-climax total.

Hoje, em Paris, o chefe de equipe Cyril Abiteboul, quando questionado, disse que preferiu agir desta forma para “não criar falsas expectativas”. Diante das últimas atuações dos franceses, até se entende esta atitude. Afinal, muito se prometeu em nome de “um projeto de longo prazo” e os resultados não foram os esperados…A trilha sonora ideal para esta reunião de hoje seria Roberto Carlos cantando “Daqui pra frente/Tudo vai ser diferente….”

A pressão não alivia. Muito pelo contrário

Quem acompanha a F1 sabe que a Renault se lançou em um pesado e ousado programa de reformulação de seu departamento técnico. Pat Fry assumiu na semana passada como Diretor Técnico, embora o trabalho de desenvolvimento do carro deste ano tenha sido realizado por Nick Chester e pessoas que estão saindo agora.

Mesmo nesta apresentação “não-apresentação”, as quatro fotos divulgadas mostram um carro muito diverso do que o foi feito nos últimos anos. A frente bastante afilada, inspirada na Mercedes, McLaren e Red Bull. A inspiração nos taurinos ficou clara com a colocação de “chifres” na altura da entrada o S-Duct. Fora isso, notou-se a aparição da bandeja na altura da entrada das laterais, que parece ser uma tendência entre os projetos na eterna busca do direcionamento de ar.

O detalhe da frente R.S.20, com Ocon a bordo. Forte inspiração da McLaren e Red Bull (fonte: Renault Sport)

A foto da traseira mostra uma entrada de ar sob o piloto bem diferente, mais semelhante ao usado pela Mercedes. A traseira é bem enxuta, com um aerofólio com um suporte duplo, embora com desenho bem parecido com o que era usado até o ano passado.

(fonte: Renault Sport)

Fora isso, o que mais chamou atenção foi o preto fosco do carro, que será usado somente na pré-temporada. De resto, não deu para ver mais nada do R.S.20. De resto, o evento foi voltado para declarações protocolares, a apresentação oficial de Pat Fry e da dupla de pilotos Daniel Riccardo e Esteban Ocon.

Hora de virar o jogo e provar a competetência

Em termos de UP, a Renault promete entregar a melhor versão feita até agora. Em entrevista dada à alemã Auto Motor Und Sport, Remi Taffin, responsável pelo desenvolvimento, afirmou que terminou o ano somente atrás da Ferrari em termos de potência. Dado o que fez a “nave-mãe” e sua cliente McLaren, fica difícil acreditar.

O R.S.20 tem a principal função de recuperar a credibilidade da Renault e garantir a continuidade da montadora na F1 tanto como equipe e fornecedora de motores. Além disso, também tem a função de dar chance de Daniel Ricciardo de realmente mostrar condições de ser um piloto vencedor e de disputar campeonato. E mostrar que Esteban Ocon não é um embuste, tendo sim condições de sentar na Mercedes e andar em alto nível.

Agora, só resta esperar até o dia 19 para ver o R.S.20 em sua totalidade e ver se o esforço feito pode ser o trampolim para voos maiores em 2021. Cabe usar com a Renault a máxima usada no mercado financeiro: ganhos passados não garantem o futuro. No caso, os franceses terão que deixar os anos de falsas promessas e efetivamente se posicionar pelo menos como “melhor do resto”.

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About Sergio Milani

Sergio Milani

Carioca, administrador, cartola de kart indoor, piloto domingueiro e dublê de analista de automobilismo em diversas frentes.

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